Poesia, sexo e devaneios.

Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003
Tenho olhos turvos há um tempo já, mas o sono não vem. E não virá, eu sei. Nem ele.
Deve ter arrumado um outro lugar pra mastigar seus próprios cacos de vidro, talvez.
Colo eu sei que não teria hoje. Mas talvez quisesse só encostar a boca na dele e misturar o gosto dos sangues.
Por isso aqui é o lugar mais solitário do Universo. E eu insone.
Devaneado às 12:03 AM Fala, vai:

Terça-feira, Fevereiro 25, 2003
...paixão dessas de escrever poesia e chorar no banheiro de madrugada. Pois é.
Devaneado às 4:57 PM Fala, vai:


Devaneado às 1:04 PM Fala, vai:

Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003
Talvez um dia desencontrar de você não me deixe mais assim tão cheia de suspiros...
Devaneado às 11:02 PM Fala, vai:

Terça-feira, Fevereiro 18, 2003
As listras do vestido amontoadas no chão, paredes amarelas, o mesmo ranger de molas. Impossível não evocar lembranças outras, de outra pele morena numa noite não muito distante. Evocar o cheiro que tem me acompanhado logo abaixo dos aromas cotidianos, à espera de qualquer brecha mínima de devaneio pra se insinuar trazendo saudade aguda.

Mas tudo isso se desvaneceu bem rápido, como era preciso ali. Porque havia travo de álcool e fumo na boca, nas bocas. Havia o dia prestes a romper do lado de fora e as mãos firmes do menino que desta vez me marcou e me comeu feito homem.
Devaneado às 11:42 AM Fala, vai:

Segunda-feira, Fevereiro 17, 2003
Lua cheia, outra vez. Despertando tudo.
Devaneado às 9:51 AM Fala, vai:

Sábado, Fevereiro 15, 2003
O nublado fresco cai sobre mim como um suspiro de alívio.

E lembro vagamente de tempos em que dias assim eram passados entre fumaça, papel e caneta.
Devaneado às 1:06 PM Fala, vai:

Quinta-feira, Fevereiro 13, 2003
Debruçada na janela que dá para o teu sorriso, penso em pequenas bobagens.
Sutilezas, na verdade, como convém ao feminino.
Tom de voz, um jeito de rir. Textura da pele. Uma flor se abrindo em suspiros.

E grito, mesmo em silêncio.
O indizível.


Devaneado às 10:52 PM Fala, vai:

Terça-feira, Fevereiro 11, 2003

Devaneado às 9:57 PM Fala, vai:

Domingo, Fevereiro 09, 2003
Olhos muito castanhos, um mergulho.
Gota de sangue em vez de uma lágrima.
Simples e ao mesmo tempo não.
Eu fui porque tinha que.

Agora, pendurada pelo pé (prestes a nascer?), fico aqui com a sensação de algo quebrado por dentro sem saber onde.
Escrevo como quem busca uma cura.
Devaneado às 10:32 AM Fala, vai:

Sexta-feira, Fevereiro 07, 2003
Nada de ruim, nada de ruim. Como um mantra.
Me faltam braços, pernas. Me falta ar.
Queria estar aí, mesmo de certa forma já estando (mais do que deveria).

Então você me acha aqui. Sempre.


Devaneado às 12:40 PM Fala, vai:

Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003
Calor cáustico, eu numa dessas épocas em que se sai à rua com a pele vestida pelo avesso. Tudo me toca direto na carne. Tudo sangra e transborda em lágrimas. Infinitos nervos expostos em cada centímetro de corpo. Eu-sensação afogando tudo em volta.
Quase meia-noite, já. E a casa num silêncio que rasgo com música antiga.
Devaneado às 11:44 PM Fala, vai:

Terça-feira, Fevereiro 04, 2003
O dia todo. Todo dia.
Não mais numa cidade outra, não mais entre lençóis impessoalmente brancos, de cortinas fechadas, em outra dimensão embalada pelo zumbido frio do ar-condicionado.
Aqui. Aqui.
Em rastros esquecidos de dias loucos, num flash de sorriso contra a parede laranja, num contorno de seio na penumbra do quarto, no banco de trás do carro, no verão-postal que não vai mais embora. Inexoravelmente aqui, a lembrança. Perto. Dentro. Pulsando. Me sussurrando delícias nos ouvidos enquanto tento ser séria.
Menina-musa inspiradora.
Devaneado às 5:19 PM Fala, vai:

home
passado...
as origens se perderam no tempo. se quiser chegar ao início da história, eu te levo pela mão.


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