Eu-transcendência.
Eu que estando com ele tantas vezes revivo prazer e gemidos teus numa mais que lembrança.
Eu que busco ávida bocas e sexos outros que com sua crueza me dêem chão.
Eu que deliberadamente toldo a luz dos holofotes do extraordinário para que seja possível levar uma vida dita normal.
Eu que vez por outra gozo chorando o agudo da beleza disso tudo.
Hoje houve uma primeira vez, porque eu sonhei contigo.
Tudo muito real e muito confuso, como costumam ser os sonhos.
Bruxas fajutas me espetavam lanças de papel enquanto eu te procurava, tonta no escuro entre casais aos gemidos.
Seios nus, bocas ávidas.
A cidade era a tua mas parecia outra qualquer escondida em meandros do meu inconsciente, e era carnaval ou uma espécie de.
Te achei presa sob o corpo e o beijo dele, e bastou um olhar para que me invadisse palpável como nunca a sensação doce da tua pele, o moreno dos mamilos empurrando minha língua.
Você me olhou e sorriu.
Eu me inclinei para a tua boca e acordei com aquela sede que água ou vinho nenhum pode saciar.
Eu gosto
da tua mão quente e firme
da tua urgência que me espeta a barriga entre travesseiros de manhã
do teu olhar louco que me dá a prova da lucidez da nossa história
das tuas doçuras inesperadas
das tuas certezas inabaláveis
de acordar fogo líquido na tua boca.
Te leio.
Falo com você, falo em você. Penso.
Construo-desconstruo-reconstruo tudo.
Com paciência de aranha tecendo seda, mesmo que trêmula e úmida e prestes a derreter o dia todo.
Porque é assim que se faz magia, eu aprendi há tempos.
Sexo falado, ali na sala. Noite de risos fáceis e olhares, como deve ser aos sábados.
Gelo nos copos, fogo na pele. Entre os corpos.
Eu-bicho farejando suor, inteira desejo e prenúncio de gozo.