Poesia, sexo e devaneios.

Terça-feira, Abril 29, 2003
Vi teu rastro
turquesa e meteórico
e minha noite ficou
um pouco mais vermelha
Devaneado às 10:13 PM Fala, vai:

Domingo, Abril 27, 2003

Devaneado às 8:51 PM Fala, vai:

Domingo, Abril 20, 2003
Há tempos estar com ele traz tua presença-ausência transbordante, e mesmo nas noites em que decido te querer minha em vez de nossa a eloqüência do nome não-dito se espalha em mil fagulhas pelo ar do quarto até explodir em gozo plural, abrindo em grito os lábios selados.

Devaneado às 11:19 PM Fala, vai:

Sábado, Abril 19, 2003
Faz calor aqui. E silêncio.
Eu penso em você.
A tatuagem preferida continua sendo a que cabe no meu beijo.
Devaneado às 3:15 PM Fala, vai:


Devaneado às 3:10 PM Fala, vai:

Segunda-feira, Abril 14, 2003
Na Literatura não morrem os amores. Não essa morte de fruta podre, que se instala aos poucos. Tampouco adormecem exaustos por enfrentar impossibilidades cotidianas e vicissitudes nada literárias. Amores escritos conservam intacto seu vigor superlativo, se agitam entre tempestades e o sol escaldante sem nunca amanhecerem mormaço. Histórias de amor são montanhas-russas que chegam ao fim apenas aos solavancos, despencando em abismos shakesperianos. Arroubos. Tragédia. Não há um só amor máiúsculo que precise esperar uma conta ser paga, que hiberne enquanto se desenreda uma prosaica reunião de trabalho.
Por isso eu sigo alimentando meu amor encolhido atrás da cinzenta sobre-vida até que ele outra vez transborde pleno e feroz. Mas silencio. Porque na Literatura não morrem os amores.
Devaneado às 12:36 PM Fala, vai:

Domingo, Abril 13, 2003
Dia desses veio J. reinvadindo minha vida. Almoçamos numa civilidade espantosa para quem em outros tempos se contentaria com nada menos que almoçar um ao outro. Mas nos limitamos ao peixe, desta vez. Com cerveja preta, tensão no ar leve a ponto de ser saboreável, e batatas coradas. Contei eu dos meus amores rasgados, contou ele das mais recentes moças que se rasgam de amor aos seus pés desde sempre.
Eu pude dar risadas e conselhos irônicos entre goles do café expresso que não havia no boteco. Eu pude reparar nos tons de cinza se insinuando na barba contra a pele morena, e brincar de relembrar outros tempos. Eu só não pude impedir que minha língua roubasse um beijo de despedida e que só então viesse o fogo pedindo mais.

Devaneado às 1:54 PM Fala, vai:

Segunda-feira, Abril 07, 2003
Quando só o que resta a fazer é esperar, é bom que haja dias cinzentos e silenciosos. Dias que pareçam inteiros feitos de nuvem, com uma chuva mansa e quase morna. Dias em que seja possível caminhar por extensões vazias sem a obrigação de desperdiçar sorrisos ensolarados com os passantes.
Devaneado às 9:25 PM Fala, vai:

Domingo, Abril 06, 2003
Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a, nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja unicórnio, salamandra, harpia, elfo, hamadríade, sereia ou ogro. Duvido que um dragão conviva melhor com esses seres mitológicos, mais semelhantes à natureza dele, do que com um ser humano. Não que sejam insociáveis. Pelo contrário, às vezes um dragão sabe ser gentil e submisso como uma gueixa. Apenas, eles não dividem seus hábitos.

Ninguém é capaz de compreender um dragão. Eles jamais revelam o que sentem. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, às três ou às onze da noite, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro, mas é mais previsível entre sete e nove da manhã, pois essa é a hora dos dragões) sempre batem a cauda três vezes, como se tivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja essa a sua maneira desajeitada de dizer, como costumo dizer agora, ao despertar - que seja doce.


À maneira dos dragões e de Caio Fernando: que seja doce.

Devaneado às 10:07 AM Fala, vai:

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passado...
as origens se perderam no tempo. se quiser chegar ao início da história, eu te levo pela mão.


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