A intenção não era essa, começou como brincadeira, mas agora trago nas pontas dos dedos a lembrança persistente do vermelho e minhas mãos, assim metamorfoseadas, viraram sombra e saudade de outras mais morenas.
E o gozo veio fácil. Com um sorriso.
Porque há tempos em que toda palavra é barreira, em que o cerne da questão está no cheiro secreto da pele entre o nariz e a boca e no calor do que você sussurra quase sem sentido revirando todos os meus (sentidos). Porque eu precisava a qualquer preço resgatar o abandono do que somos nós dois e buscava a saída para o emaranhado de idéias e gentes e conceitos e a porta estava o tempo todo na minha frente e eu não via.
Porque não tem dor que o teu veludo não cure sem ao mesmo tempo arranhar em sua maciez. Porque hoje toda palavra se faz silêncio.
Depois do olhar vieram as mãos, algo furtivas. Notei que estavam quentes. Tremiam.
Muita coisa aconteceu entre palavras, vinho e gozos. Ares irradiou seu vermelho fazendo aflorar a fome. Baco sussurrou delícias nos ouvidos de quase todos os presentes.
Tanta coisa que parece ter se passado uma vida. Mas agora, no silêncio da casa que volta ao prumo, poucas lembranças me embalam os dias.
O olhar incisivo e as mãos. Que tremiam.
(é, por aqui há mais sensações do que nomes)