spread your legs wide open. that's it calor, palavras e corpos na tela, trechos de conversas. dedos trôpegos, sórdido desespero de calças arriadas no banheiro do cinema procurando-invadindo a cova quente de ausência que me ocupa as entranhas. a água escorrendo com o papo ali fora, perto, perto, do outro lado da porta fina frivolidades disparadas com esses e erres e modulações que apenas sublinham minha estrangeiridade por aqui. do lado de dentro gemidos abafados e toda sensação, o cheiro que certamente escapa pelas frestas, um telefone que não toca e o teu que não atende, respiração entrecortada, cenas velozes na cabeça, cortes, planos.
mais tarde reencontro esperado, eu feliz por estar fora da roda do carma e a velha sincronicidade na caixa postal.
o cotidiano se reinicia regado a sensatez nenhuma, idéias jorrando descontroladas e lembranças. Sempre elas.
Hoje eu te tenho por aqui desde cedo, saída do meu sonho interrompido para incendiar o cinza insosso do dia. E desde cedo sorrio resignada sabendo que de nada adianta o trabalho acumulado na mesa, as batidas na porta, as seriedades.
Hoje eu tenho a tua pele colada na minha, punhados de lembranças boas, um outro tanto de saudades. Tenho uma urgência feroz que o banho frio não abala, tenho um calor inundante que meus dedos não abrandam.
Hoje eu te tenho em presença azul e outras sutilezas. Tenho tanto que transbordo a rotina, mas na verdade me falta você.
teu cheiro, bicho, e mãos e línguas. e poucas ou muitas, transbordantes palavras. e raiva e carinho, ciúmes esparsos. tesão e cerveja, ainda e sempre. preguiça, pequenas canalhices, a vontade que transforma minhas horas em dedos úmidos e lassidão.
vidas emboladas, as nossas, debaixo do azul do edredom.