Poesia, sexo e devaneios.

Terça-feira, Novembro 18, 2003
Febre assim me lembra das noites aquela que foi quase a primeira, encerrada num tempo diverso em que o calor era só por dentro, em que o ar me batia gelado em nacos de pele ardente e tudo parecia suspenso numa dimensão de irrealidade. Me lembra de quando o tempo escorria viscoso das paredes cheirando a mofo e meus sentidos todos se eriçavam num alerta que estranhamente retumbava atordoamento. Era eu e eram todas ali entre mãos e beijos e línguas, não havia foco nem rumo no caldo de sentipensamentos. Lembra a noite que hoje me volta como sonho, que quase me assombra as madrugadas, a noite quando numa cautela que nunca mais eu dei as costas para o abismo e ele não deixou mais de chamar meu nome daquele momento em diante.

E era o abismo mesmo de sempre que ontem uivava sob o meu corpo outra vez febril quando eu te pedi falo e âncora, quando eu quis em mim a marca inexorável do presente em suor, em porra. Quando eu te desejei em todo fluido que pontuasse o antietéreo, o barro espesso cotidiano. Eu e não mais as outras todas. Vida, a nossa vida que eu busco depois de todo o vôo, todo mergulho.

Agora uma brisa fura a massa quente da noite, eu penso no peixe luzidio que me perturbou o sono, transpiro à tua espera na modorra do apartamento e mordo o azedo da fruta que a geladeira congelou.

Devaneado às 10:17 PM Fala, vai:

Quinta-feira, Novembro 13, 2003
Na retina o preto insistente do vestido erguido por mãos brancas, procurantes.
Sol na janela, nada no ar da tarde longínqua.
Dedos grossos ávidos por caminhos inexplorados, música, gosto acre na boca.

O verão lá fora é chuva e troveja enquanto sacudo dos cabelos velhas histórias emaranhadas.
Devaneado às 3:05 PM Fala, vai:


Devaneado às 2:57 PM Fala, vai:

Quarta-feira, Novembro 05, 2003
Novembro se insinua (disfarçadamente) pelas frestas.
Abro mais um botão da camisa, tenho pêssego escorrendo do canto da boca. Nos pés ainda meias coloridas e o peso de tempos outros, mas um perfume conhecido me dita o ritmo dos humores, eu pressinto sussurros no vento que enlouquece as cortinas e aguardo confiante o calor.
Devaneado às 10:22 PM Fala, vai:

home
passado...
as origens se perderam no tempo. se quiser chegar ao início da história, eu te levo pela mão.


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