Poesia, sexo e devaneios.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
Da improbabilidade de um, de mais encontros, dos meandros que me trazem de volta ao vermelho da teia secreta ligando num arrepio os acontecimentos todos, as leituras, as cartas. É assim que num relance me vejo transpirando eletricidade, brotando palavras em transe. Que me vejo vislumbrando sentido maior, desejando melodias, acendendo perfumes. É quando me pego no impulso de preparar os chás e as poções, de acender as velas todas e dançar ao fogo. Quando me vejo descolada de arestas, mergulhada em vida de filme francês. É assim que me tenho em amplo sorriso e em lágrima, bruxa e transcendente, é assim que sou capaz de enxergar claro e longe e dentro no instante agudo que se alonga pelo dia apropriadamente cinzaelento. Alento.

(do desejo inabalável de saber como, afinal, as mãos de um violinista tocam uma mulher)
Devaneado às 10:39 AM Fala, vai:

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004

fui procurar as imagens que me mostrem o teu olhar...
Devaneado às 4:00 PM Fala, vai:

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
Foi-se a roda, vem a Ceifadeira sedenta de impiedades. Eu invoco silêncio e o mundo zomba fazendo trepidar as calçadas, esfacelando o que me resta de são.

Ainda assim há a urgência, a febre que desanda meu compasso de espera. Nós antigos se abrem em inesperadas possibilidades na minha janela. Pensamentos vermelhos teimam em se entrelaçar nos compromissos, em me fazer latejante. A verdade é que consigo pensar em pouco além de cheiro, palavra, sensação.

É, eu não talvez não devesse, mas trago por trás do olhar um sorriso secreto.
Tenho vontade de mais.
Devaneado às 6:38 PM Fala, vai:

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
E eu, na verdade, o que tenho a dizer?
Eu tenho me contentado em sorver o hálito do mar apodrecido nessas manhãs ociosas de sol.
Pés na areia, boca salgada e silêncio, para que cada movimento tenha a densidade que se faz necessária. Silêncio.

Não calma, que estes dias não tenho sido mais que pele fina a envolver um amontoado de lava. Agulhas me espetam de longe e de perto, eu antevejo mais e mais calor brotando do fundo e me deixo consumir. Mas é sem estrondo que se faz minha erupção. Febril eu tranco as persianas com o sol ainda alto, sistematicamente. Inquieta, tenho buscado mais das palavras que caíram tão bem com o álcool da outra noite. Quero mais livros de páginas soltas, texto com as trilhas já desbravadas à espera de outros olhos. E silêncio para fazer da lava apenas sensação.

(Te empurro pro banheiro cheio, dali pra dentro de uma cabine sem tranca. Beijo pra provar a cerveja, mãos apressadas te virando pra parede, entrando pela calcinha, brincando pra te fazer pedir entre gemidos. Pede, safada. Você geme mais alto, alguém diz uma gracinha lá fora. Se vira agora, sacana, pega a cerveja da minha mão e me beija com álcool e teu gosto na língua. Eu afasto a camiseta pra chupar teus bicos duros, você levanta minha saia e faz o mel escorrer até o couro preto das botas. Eu abafo o gozo na tua boca enquanto meto um, dois dedos, a mão toda em você.

Costas coladas do outro lado da parede fina, olhos na cena refletida no espelho, a mais safada sorri enquanto escorrega os dedos para dentro do jeans aberto)


Devaneado às 9:37 PM Fala, vai:

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004

Talvez não haja nome para o véu que me tolda a memória do toque. E nem mesmo a voz me chega aos ouvidos, vê que estranho.
Consciência sem lembrança, como se o fantasma de mim mesma.

Eu fico aqui apenas com palavra e cor, desejo etéreo cruzando o ar entre os meus e os teus dedos.
Eu leio, eu olho as máscaras na parede, eu vasculho cadernos novos e antigos.
Eu há dias não paro de pensar.

(e quase é chegado o momento, e sobre a mesa repousam os livros, os papéis e as expectativas)
Devaneado às 9:24 AM Fala, vai:

Domingo, Fevereiro 01, 2004
outra vez janeiro, outra vez febre. Fui eu mesma que fiz girar a roda...


E mesmo achando que não eu me enredei no novelo fértil de palavras novas, e tateando umidades eu abri e fui aberta mais e tenazmente até despencar de gozo, até querer incondicionalmente te dedilhar o cerne.

E terá sido saber de de fome tão secreta o que me lançou noite adentro com a pele em chamas, terá sido desse caldo quente entre as pernas que jorrou a urgência de querer caderno e tinta na madrugada, de buscar gozo em cima de gozo até que se multiplicassem as delícias?

Nua e tremendo, com vermelho a escorrer das mãos e olhos injetados de curiosidade febril eu venho ao livro.

Foi achando mesmo quase tudo que eu me fiz perdição.

(revejo num sorriso a loucura que tomou a mim e a ele naquela única noite nesse quarto onde hoje cerveja e sexo mancham tua cadeira)

Devaneado às 10:25 AM Fala, vai:

home
passado...
as origens se perderam no tempo. se quiser chegar ao início da história, eu te levo pela mão.


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