Poesia, sexo e devaneios.

Quarta-feira, Março 24, 2004

Devaneado às 2:23 PM Fala, vai:

Domingo, Março 21, 2004
Hoje não houve anjo nem piercing, e eu não precisava ser salva.
Hoje o colar não arrebentou, era outro tempo na cidade dos meus fantasmas.

Hoje foi silêncio sem lágrima, muitos anos passados num instante. Constatação.
Hoje eu talvez não agüente evasivas, hoje eu vi que o que chamam loucura ou fantasia em mim é vida e urge.

Hoje são palavras truncadas entre os insones, hoje os ombros pesaram demais para exorcisar em música.

Hoje eu quis ligar e era tarde, eu quis voar e era sábado.
Hoje eu tive saudade. E estou voltando pra casa.

(agridoce ainda a sensação do olhar delineado no escuro, fugidio e certeiro. É, havia fumaça e eu te vi dançando, mas tudo longe e quase dor. E faz tempo demais que eu aprendi a não ignorar os avisos das cartas)
Devaneado às 3:42 AM Fala, vai:

Quinta-feira, Março 11, 2004

Sonhos me perturbam, dia claro por trás das persianas.
Já no alto da escada do alçapão do inconsciente, um par de mãos me chama.
Brancas, firmes.
Tato como se fosse áspero, voz arrepiando a nuca. Das palavras, eu não lembro: talvez algo pedindo menos pressa.
Algo, incongruentemente, a me amolecer de desejo.

Os rostos, os de sempre; o lugar, o dos fantasmas.

(e eu que vim aqui falar de olhos que turvam certezas, e eu que hoje amanheci úmida e nublada)
Devaneado às 9:50 AM Fala, vai:

Quarta-feira, Março 03, 2004

-Lembra o endereço do hotel?

Minhas palavras assim cortantes, oi nem nada, te fazem ofegar do outro lado da linha. Eu sorrio porque foi como planejei minha surpresa, eu faço esforço pra manter a voz firme mesmo a derreter de expectativa também. Muitos minutos lentos, molhados, na cama de lençóis impessoais até a batida (leve? ansiosa?) na porta. É, eu tinha deixado teu nome autorizado com o rapaz discretamente curioso da recepção.

Você vem um pouco atordoada, sem decotes nem caras nem bocas e era assim que eu queria que fosse. Pinçada de um dia comum, o ar sacana embebendo aos poucos a tua máscara profissional. A mesma que eu desfiz uma vez e nem pude ver sumir pelo ralo de um banheiro embaçado.

Você chega e não há mais a dizer, que palavras já transbordaram há muito dos dois lados inundando distâncias, melando as cadeiras. Agora é pele, proximidade, fome. Agora é teu peito na minha boca, mamilo entre os dentes, são minhas mãos despertando no tato o que te instiguei de longe. Agora é provar do gosto, do cheiro construído em descrições atravessadas de putaria e sintonia em três tardes e um punhado de noites quentes. Agora é achar voz ainda que rouca pra te sussurrar as tantas loucas sacanagens todas. É ser na tua mão a mais vadia das putas, a menina das páginas em veludo vermelho, é dar dedos e língua, grelo e gozo, à minha-tua imaginação sem freio.

Agora é beijo demorado e exausto pra te deixar ir embora, é preparar decotes e caras e bocas pro reencontro mais tarde. Mesa de bar, música alta, as gentes todas, quem sabe? Agora é saborear segredo no brilho daquele teu olhar.
E dançar de olhos fechados no meio da fumaça.

Devaneado às 4:51 PM Fala, vai:

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passado...
as origens se perderam no tempo. se quiser chegar ao início da história, eu te levo pela mão.


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