Poesia, sexo e devaneios.

Quinta-feira, Abril 29, 2004
segredos, caminhos tortuosos sempre chamando meus pés; sutilezas e entrelinhas.

talvez por isso o meu tempo escorra em dobras, espirais, estrela e novelo sempre, e mesmo as linhas retas eu teime em ver fora do prumo.

talvez por isso eu tenha tua voz no momento preciso, entre uma vírgula e outra, a rir e dizer as mesmas coisas que há poucos instantes eu escrevia.

talvez por isso hoje eu tenha lido de mortes, ciclos, e tenha tropeçado no passado displicentemente tomando um suco no fim de tarde. talvez por isso me acompanhem desde o abraço o cheiro das montanhas e do vinho quente, a fumaça, o chapéu e um vestido florido longo cobrindo os coturnos surrados.

e persista o arrepio do Amor costurado com fio de prata ao Mistério.
Devaneado às 12:01 AM Fala, vai:

Terça-feira, Abril 27, 2004
Janelas fechadas, pernas abertas e o cheiro que toma conta do quarto agora.
Na boca o sorriso rasgado sempre pela tua voz meio rouca, pertolonge, rindo junto e depois gozando.

Eu busco no edredom azul outra noite sem sonho.
E a saudade rebrilha sobre os móveis daqui, resto de purpurina passado o carnaval.


Devaneado às 12:44 AM Fala, vai:

Terça-feira, Abril 20, 2004
Aqui tudo é chuva, a porta escancarou com a ventania.

Cheiro da água, da terra perdida nem sei onde no emaranhado de asfalto e cinza me faz querer andar sentindo a roupa molhada na pele e não muita coisa mais. Andar ruas vazias, cabeça ao vento para arejar pensamentos.

No quarto faz calor, as persianas verdes fechadas.
E eu não preciso olhar para ver suspenso o fio doce, fumaça emanando da brasa viva.
Devaneado às 11:46 PM Fala, vai:

Quarta-feira, Abril 14, 2004
Eu venho por aqui e sinto falta de palavras a me escorar os passos incertos.
Eu dobro camisas e penso que não sei mais viver só de urgências. Que talvez arroubos já precisem de base firme e essa agora se desloca em terremoto.

O centro é ainda vermelho, lateja.
Mas dias de afrodite têm sido enfrentados na pele de diana-impávida, porque tudo é como tem que ser.

As fórmulas e rituais eu posso repetir.
De resto é esperar que a ventania me poupe as raízes secretas, é trazer colados à mucosa os perfumes sutis e saber-sorrindo a certeza do eterno recomeço.

(sim, o simples roçar no vermelho revolve sensações que eu bem sei. E é verdade que me pego ávida por correspondências e madrugadas vertiginosas, e que persiste o calor. Eu hoje falei daqueles dias. Brinquei com o segredo entre os lábios feito naco de fruta suculenta e não pude deixar de sentir o arrepio na pele do alto das coxas)
Devaneado às 12:17 AM Fala, vai:

home
passado...
as origens se perderam no tempo. se quiser chegar ao início da história, eu te levo pela mão.


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