Eu penso que talvez tenha me perdido daqui, os pés buscando caminhos outros.
Olho a foto e me vem nostalgia combinando com o rosa-velho do vestido, quase nada dos arroubos escarlates de antes. Do que inegavelmente nasceu com o livro e esteve marcado nas páginas desde então, do que talvez, agora me ocorre, fosse o que lhes dava sentido estes anos. A musa, sim, e a cidade, as tardes de vento perto do mar e as janelas altas de madeira e as noites de fumaça entre paredes coloridas. A vida que eu quis e que assim acontecia no seu ritmo próprio que me era tão íntimo.
E eu não quero falar de passado, me dói maquiar tentativas de vermelho borrando o livro. Não.
A verdade é que ando mais azul enquanto avanço no fundo lago de peixes, não à toa ansiando por água agora que o mar está longe. A verdade é que sou eu mesma fluida e transbordante e um pouco (indefinidamente?) perdida, não mais incêndio mas talvez maremoto ou tempestade. Ou barco de papel, seixo rolado, folha seca, nem sei. Choro sem ter uma porta que possa fechar, acordo com palavras estranhas me arrepiando os braços e escrevo como quem tece o próprio casulo.