E há, portanto, as dores e as dores.
Dores estéreis e as praticamente necessárias. Há a nesga fugidia de pele entre o jeans e o casaco, o cheiro acre emanando das calçadas sujas, a palavra na hora certa, a imagem bloqueada. Há o sulco esperando ser aberto na pele (e, sim, que brote o sangue), há o sorriso depois do aprendizado. Há a curva branca do seio e há a faca. Há aquilo que sou e aquilo que penso ser, a minha vida só com a noite e o balcão e a caneta e o copo e a minha vida sem nada disso nunca. Há o silêncio intransponível e o cúmplice, os dedos estranhos e a sensação conhecida, há o gozo e o grito e talvez um punhado de outras possibilidades à espreita. Há a ânsia, as expectativas, a reflexão e o jogo. Ainda.
Há, eu digo, caminhos e caminhos.