verdadecomosefossesonhocomosefosseverdade.
fato é que preciso juntar este quebra-cabeça de sensações esparsas enquanto te encosto num muro de uma esquina escura de uma noite quente de um ciclo findo de repente já. que preciso baixar a blusa e erguer a saia e revelar a pele e buscar segredo e gosto e gozo enquanto tuas costas sentem o musgo e a pedra e talvez as vozes e talvez a festa e te ver gritar. e que quero que seja lento e doce e quente e brusco perverso urgente secreto e nem sei, o vermelho vivo contra o muro verde na noite preta da cidade lá. e que o querer se engancha em sorrisos banheiros vinho e mamilos morenos e bocas palavras e distâncias outras neste baú úmido que chamo âmago, escorre da escrita às cegas que chamo livro me atordoando as noites e inchando as tardes lentas frias intermináveis do lado de cá.
Não era de amor que eu queria falar quando lembrei daqueles olhos. Poder, talvez, arrepio de me saber senhora da sede do outro antes mesmo de. Porque é isso que me conduz através dos dias, a certeza da transcendência e a promessa do toque, a sede de vermelho aflorando certeira e ao mesmo tempo difusa. Vermelho.
Dias rondando o livro, as sensações no limiar entre o etéreo e a palavra, memória de corredores e mãos e olhos me assaltando em lugares improváveis e revolvendo a poeira das tardes. Palavras íntimas mais cedo, a boca conhecida e a marca dos dedos na pele clara. Vontade.