e para quê, você me pergunta, para quê.
porque aqui é o meu espaço do não-caminhar, é onde as lembranças são sempre construídas e as palavras são sempre a mesma palavra.
porque aqui acaricio meus fantasmas, acendo velas na penumbra e molho os pés nas águas turvas.
porque aqui é vermelho e essência e sopro.
O indefinível, sim e ainda, borboleta azul que suga a velocidade do mundo cruzando a estrada.
Estar lá me dá a certeza da realidade transversal, o destino na mesa ao lado outra vez, o fugaz dos olhos quando tudo era sol, pitada de algo que por aqui me parece sempre soterrado em linhas retas e certas.
Mas brinco ainda de arqueologia íntima, descubro um nome novo nas trilhas do vermelho. Mas há rasgos no comezinho dos dias, o calor da pele dele, a promessa de mar depois da esquina. Há este não pensar que me inquieta, eu-bicho à espreita em cada gesto redondo. Há o ardor.