Tempo, tempo, dias e meses se acumulando lá fora.
Aqui, elástico. Cíclico ao sabor dos meus líquidos e humores. Íntimo como o calor escondido na curva da axila, a dobra da coxa. Úmido. Outra noite me sonhei com 100 anos. Rugas de infinita experiência, marcas, o corpo vestido em trapos de muitos vermelhos. Reconheci nos olhos a chama. Menina-dragão-vento-mar ainda. Sempre? Nem sei.
Ontem uma tarde de terremotos por dentro. Agora de manhã cruzei com o moço que há tanto não via, roupa branca enfeitando o olhar moreno feito presságio, sorrindo de volta o meu bom-dia surpreso. E só então vi que era sexta-feira.